Na sessão legislativa da última terça-feira (13), o vereador Balen da Feira (PT) apresentou requerimento solicitando a realização de uma sessão solene na Câmara Municipal de Erechim em homenagem aos 70 anos de fundação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Erechim. O pedido foi aprovado e visa reconhecer a importância histórica e social da entidade, uma das mais representativas na defesa dos direitos trabalhistas da região.
Criado em 1955, o Sindicato nasceu em um período de forte controle estatal sobre as organizações de trabalhadores, num Brasil que contava com cerca de 60 milhões de habitantes e vivia sob a vigência de uma estrutura sindical corporativista. Na época, greves eram proibidas e a existência dos sindicatos dependia do reconhecimento oficial do governo.
Mesmo diante das limitações legais e, posteriormente, da repressão imposta pela ditadura militar, o Sindicato dos Metalúrgicos de Erechim manteve-se atuante por cerca de três décadas. Líderes como João Kienoff, Waldomiro Teodoroniz, Osvaldo Eurico Riegel, Leopoldino Grando, Euculino Menegatti, Avelino Morganti, Adolfo Cosel e Nelly Antonio Dambrós – todos já falecidos – foram fundamentais nos primeiros anos da entidade, garantindo sua resistência e continuidade.
A década de 1980 marcou um novo ciclo para o Sindicato, com o fortalecimento da chamada “oposição metalúrgica”. Nomes como Fiorindo Cambruzzi, Marino Vani, Jaime José Basso, Valdecir Frare, Fábio Adamczuk e Sandra Weishaupt lideraram uma transformação profunda na entidade, que passou a atuar fortemente em pautas como jornada de trabalho justa, valorização salarial, saúde e segurança no ambiente laboral, combate à discriminação de gênero e acesso à educação. Greves históricas também marcaram esse período, estabelecendo novos parâmetros nas negociações entre patrões e empregados.
Com o avanço da industrialização em Erechim, o Sindicato expandiu sua base de representação, fortalecendo-se regional e nacionalmente. Foi protagonista na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), hoje a maior central sindical da América Latina. Além das lutas sindicais, a entidade passou a desenvolver ações em áreas como cultura, lazer, formação técnica e apoio a alternativas de geração de renda.
Na estrutura física, o Sindicato também cresceu: da pequena sala na antiga Casa do Trabalhador, chegou ao atual prédio na rua Achiles Caleffi, no bairro Bela Vista, com sede administrativa e Sede Campestre, oferecendo melhores condições de atendimento aos associados e espaços de lazer e convivência.
As últimas décadas trouxeram desafios intensos com as crises da indústria local, o fechamento de empresas e as reformas trabalhistas que enfraqueceram o movimento sindical em todo o país. De cerca de seis mil trabalhadores, a categoria encolheu pela metade. Ainda assim, o Sindicato dos Metalúrgicos de Erechim manteve estabilidade financeira e base associativa sólida, atuando com firmeza para preservar empregos e direitos.
Atualmente, a entidade é reconhecida em nível estadual, nacional e internacional. É filiada à Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, à Confederação Nacional dos Trabalhadores, à CUT e à Industriall Global Union — organização que representa cerca de 50 milhões de trabalhadores em 140 países. Um de seus dirigentes, Marino Vani, ocupa o cargo de secretário regional para a América Latina e o Caribe nesta entidade global.
A comemoração dos 70 anos do Sindicato dos Metalúrgicos de
Erechim, portanto, vai além de uma solenidade. É uma celebração da luta
contínua por justiça social, dignidade no trabalho e valorização da classe
trabalhadora. Como destacou o vereador Balen da Feira, trata-se de um
reconhecimento merecido à história de resistência, transformação e compromisso
com os trabalhadores e trabalhadoras de Erechim e região.