“Às custas do povo, não serei favorável”, diz Rony sobre expansão da máquina pública
Em seu pronunciamento, o vereador relembrou o contexto da última eleição municipal
PUBLICADO EM 22/05/2025 - 17:00

Durante a 18ª sessão legislativa realizada na última terça-feira (20), o vereador Rony Gabriel (PL) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Erechim para manifestar sua contrariedade ao aumento de cargos proposto pelo Poder Executivo. A fala ocorreu antes da votação de projetos de lei ordinária que visavam, entre outros pontos, a ampliação de cargos comissionados na administração municipal.

Rony foi categórico ao afirmar que não compactua com a expansão da estrutura pública custeada com recursos da população. “Às custas do povo, eu não serei favorável. Ao mesmo tempo que o governo cria cargos, também aumenta impostos”, declarou.

Em seu pronunciamento, o vereador relembrou o contexto da última eleição municipal. “Três candidatos prometiam a redução da máquina pública e um não prometia isso. O prefeito Paulo Polis nunca prometeu, então, nesse aspecto, ele não está descumprindo. Mas, ainda assim, é preciso refletir sobre a forma como os recursos públicos estão sendo geridos”, ressaltou.

Rony destacou que discorda da visão do prefeito Polis de que a prefeitura é um prestador de serviços. Para o parlamentar, o papel do Poder Executivo é, acima de tudo, o de gestor dos recursos públicos. “Nenhum governo gera riqueza. A arrecadação vem de impostos como o IPTU, que inclusive teve um aumento expressivo recentemente”, observou. Ele também criticou o fato de serviços essenciais, como testes para Covid, H1N1 e gripe comum, não estarem sendo disponibilizados à população na rede pública, obrigando os contribuintes a buscar alternativas privadas mesmo após já terem sido onerados por tributos.

Ao traçar um paralelo com a política econômica da Argentina sob o comando de Javier Milei, Rony ressaltou os efeitos da austeridade nos gastos públicos. “Milei cortou 30% das despesas e, em pouco tempo, a moeda argentina superou o real em valor de mercado. Enquanto isso, no Brasil, seguimos inflando a máquina pública, o que resulta em aumento de juros, impostos e arrecadação”, comparou.

O vereador ainda fez críticas ao modelo de governança adotado pela gestão municipal. “O prefeito Polis, ao propor aumento de cargos e gratificações, está seguindo um modelo falido, similar ao do governo Lula, e não um modelo de sucesso”, disparou.

Rony também mencionou uma matéria publicada pelo jornal Bom Dia no dia 23 de abril de 2025, segundo a qual, com quase quatro meses de governo, o número de cargos comissionados (CCs) em Erechim subiu de 178, em 31 de dezembro de 2024, para 191 — um aumento de 13 cargos. “E agora estamos aumentando ainda mais a máquina pública”, lamentou.

Além de abordar os impactos financeiros do inchaço administrativo, Rony provocou uma reflexão entre os colegas parlamentares sobre os efeitos políticos desse modelo. “Se vocês observarem, nas últimas eleições os que se elegeram foram os secretários. Por quê? Porque secretário não tem desgaste com votação de aumento de salário, de IPTU, ou com diárias. Quem leva esse peso somos nós, vereadores”, afirmou.

Ele também pontuou que muitos cargos comissionados ocupados nas secretarias são fruto de indicações políticas, e questionou se esses mesmos indicados não atuaram como cabos eleitorais nas campanhas dos secretários. “Não estou criminalizando a política. Entendo que a pluralidade partidária é importante para a governabilidade. Mas essa política não pode ser feita sobre os ombros do povo”, enfatizou.

Encerrando sua fala, Rony reiterou que está disposto a apoiar projetos benéficos vindos do Executivo, como já o fez anteriormente, mas deixou claro que não votará a favor da maioria dos projetos relacionados à criação de novos cargos e gratificações. “Se todos os serviços estivessem em dia, talvez o debate fosse outro. Mas não estão. Por isso, hoje, eu digo: votarei contra a ampliação da máquina pública”, finalizou.

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