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Vereadores aprovam Projeto de Lei Legislativo que denomina artéria de Rua Antônio Mariga

por Maristela Guareschi publicado 18/11/2016 09h08, última modificação 18/11/2016 09h08

Vereadores aprovaram, por unanimidade, o Projeto de Lei Legislativo, de autoria do presidente da Casa, vereador Lucas Farina, que denomina artéria de nosso município, de Rua Antônio Mariga, localizada no Loteamento Bem Morar Erechim.

Em sua manifestação, Lucas ressaltou a importância de um resgate histórico, ou seja, relembrar a saga de uma família com origem na região de Veneza na Itália, os descendentes de Primo Santo Mariga que nasceu em 1869 e que imigrou para o Brasil em 1889.

 O primeiro membro da família Mariga se instalou, inicialmente, em Nova Trento (hoje Flores da Cunha) no Rio Grande do Sul e, ainda jovem, casou com Maria Meosso, nascida em 1874, com quem teve seis filhos: Amadeus, Antônio, Joana, José, Domingos e Batista.

 Maria faleceu ao dar a luz a gêmeos, sendo que somente um deles, Batista, sobreviveu. Desta forma, primo teve que assumir a criação e a educação dos filhos ainda menores de idade.

Em Erechim, depois de 1908, com o envolto da colônia nova de Erechim, o patriarca Mariga decidiu mandar os filhos mais velhos migrar para Paiol Grande no Alto Uruguai à procura de terras férteis para produzir alimentos e gerar riquezas para melhorar o conforto da família.

 Em 1912 os Mariga se instalaram em Linha Três – Gramado – hoje caminho para Paulo Bento. Naquele tempo tudo era mato fechado e a estrada de ferro era a única ligação disponível para o interior da região, que mais tarde se tornaria o grande município de Erechim.

 Nas suas terras Primo Mariga montou uma serraria movida a lenha, onde todos os filhos trabalharam. As noras e netos cultivavam as roças de milho, arroz, trigo, videiras, além de criação de bovinos, ovinos e suínos.

 Por volta de 1920, os Mariga estavam definitivamente instalados nas duas colônias de terras em Linha Três Gramado. Moravam numa grande casa de madeira.

Todos moravam num casarão de três andares com porão, onde produziam vinho e guardavam mantimentos. O segundo andar tinha muitos quartos, além do sótão que era destinado a acomodar a criançada.

  Ligada à casa principal, tinha outra ligada por um grande corredor. Ali havia uma sala para refeições cozinha e lavatório. O patriarca dos Mariga abrigou todos os filhos mesmo depois do casamento deles. Num período de vida dessa tradicional família, a residência chegou a abrigar 42 pessoas. Apenas a filha Joana tinha casado e não morava no local. Como gostava de ver todos por perto dele, foram adquiridas mais áreas de terras lindeiras.

 “Em certa ocasião, numa grande festa no casarão, ele resolveu fazer a partilha das terras com seus cinco filhos homens. Inteligentemente usando cinco palhas de milho, cada qual representando uma das partes da propriedade, solicitou que cada um dos filhos escolhesse uma delas, desta maneira não poderiam reclamar da parte recebida, pois foram eles que escolheram”, lembrou Lucas.

 Quando Primo Mariga faleceu em cinco de março de 1939 aos 70 anos, o casarão ficou para o primogênito Amadeus e mais tarde para Domingos, filho seguinte, que permaneceu no local até a venda da serraria para o Senhor Zampieri.

 A propriedade hoje é ocupada pela família de Vitório Mariga, filho de Amadeus. Vitório, aos 62 anos já transferiu para o filho. E para lembrar das lições passadas pelo patriarca Primo e mantida pela quarta geração, que hoje os Marigas distribuídos em varias regiões do Brasil se encontram em uma grande e afetiva comemoração.

 São passados 110 anos na chegada do Primo Santo Mariga no Brasil e mais 60 anos do falecimento desse patriarca desbravador, Antônio (Maria Bernardi Mariga) Teodora Simionato, José e Angelina Ferrari Mariga, Domingos e Ana Suat Mariga, Batista e Gentiele Zampieri Mariga e Joana Mariga e José Alessio que ramificaram para a geração dos 710 descendentes da família de imigrantes italianos.

 “A história dos Mariga não seria completa se não tivesse um religioso na família. Contam que o Primo Mariga quem fez a doação da madeira para a primeira igreja católica erguida em Erechim por iniciativa da pioneira Elisa Vacchi nos anos 20”, resgata.

 “Depois deste resgate, nos voltamos ao nosso homenageado, Antônio Mariga, casado com Maria Bernardi e teve como filhos: Raimundo (In Memorian), Josefina, Helena (In Memorian), Modesto, Ermelinda, Anastácia, Libera (In Memorian), Auxiliadora e Pedro”.

 Seu casamento ocorreu em Nova Pádua no ano de 1919, e veio a Erechim com três filhos. Casou-se por duas vezes, já que ficou viúvo, vindo a casar com a sogra do filho. Recebeu a graça de, em sua vida, ter 39 netos e 54 bisnetos.

 Antônio sempre morou na Linha Gramado, hoje Queijaria Mariga. Trabalhou com engenho de madeira e na agricultura, visto que os homens, naquela época, trabalhavam na serraria e as mulheres na lavoura e nos afazeres de casa.

 Com a renda compravam algumas áreas rurais e nos arredores. Sabia ler e fazia as contas com facilidade, o que incentivou a suas três filhas entrarem para o Convento para serem Freiras.

 “Um homem que gostava de ver a família reunida, momento em que faziam filó e surpresas nos aniversários. Antônio participava da igreja, ajudava nas festas e colaborou na construção da comunidade. Participou das comunidades de Gramado e Paróquia Três Vendas. Ajudou a construir escola, capela e salão da comunidade”.

 Entre os seus momentos de lazer, gostava de jogar bocha, futebol e participar das matinés. Um exímio jogador de bocha e baralho. Faziam bastante festas. Todo o início de ano era um grande momento em família. 

 Sempre ajudava os demais vizinhos, até mesmo com a castração dos seus animais. Uma pessoa alegre, trabalhadora e, principalmente, do bem. Antônio faleceu aos 77 anos de idade deixando aos seus familiares e amigos um exemplo de homem trabalhador, sempre com vontade de aprender a fazer coisas novas, como as pipas de vinho, como de conviver harmoniosamente com a sua família. 

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