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Tradicionalista Alcides Mendes de Camargo é imortalizado com nome de artéria de nosso município

por Maristela Guareschi publicado 14/12/2016 08h40, última modificação 10/05/2017 17h38
Tradicionalista Alcides Mendes de Camargo é imortalizado com nome de artéria de nosso município

Tradicionalista Alcides Mendes de Camargo é imortalizado com nome de artéria

Projeto de Lei Legislativo, de autoria do vereador Anacleto Zanella e tendo como vereador orador Jorge Psidonik, aprovado por todos os vereadores presentes, imortaliza o tradicionalista Alcides Mendes Camargo, como nome de artéria de nosso município, localizada no Loteamento Fiebig II.

Alcides Mendes de Camargo, mais tarde conhecido como Xirú Camargo, nasceu em Soledade, atualmente Município de Ibirapuitã, no dia 02 de dezembro de 1922. Um dos cinco filhos de Thomaz Mendes de Camargo e Celina Chaise Camargo. Teve uma história vinculada com o desenvolvimento de Erechim e região, sobretudo na cultura. Na infância trabalhou muito, ajudando seu pai transportando madeira em carroça de boi nos municípios de Ernestina, Carazinho e Passo Fundo.

 “Cresceu em uma família humilde que retirava seu sustento do trabalho braçal, como colher erva mate, na agricultura, na derrubada e no transporte de madeira. Quando jovem se divertia indo a bailes, carreiras, bochas e matinês. Vivia à moda gaúcha. Aos 19 anos, buscando melhorar sua condição de vida, entrou para a Brigada Militar, em Passo Fundo. Logo foi destacado para o Município de José Bonifácio, um dos nomes que Erechim teve ao longo de sua história”, lembrou Jorge.

 Aqui serviu à corporação por dois anos e meio. Fazia diligências para levar os presos a Porto Alegre. O primeiro destacamento estava localizado onde hoje é o prédio do INSS e a cadeia no subsolo da prefeitura. Por falta de Cabos recebeu uma promoção para exercer a função de Patrulha, cargo semelhante ao um Agente Penitenciário dos dias de hoje. Fazia ronda a cavalo nos bairros, pois na época a Brigada não dispunha de veículos motorizados.

“Contava ele, que onde hoje é o Bairro Koller, havia apenas uma floresta por onde cavalgavam, inclusive à noite. Para poder casar-se com Loreli Dacila Camargo, teve que abrir mão de sua carreira de soldado. Os enlaces matrimonias se deram em 1944. Da união nasceram 13 filhos que lhes deram netos e bisnetos”.

Em 1947 ingressou na Secretaria de Desenvolvimento de Obras Públicas do Estado do RS, quando da instalação da Hidráulica em Erechim, hoje CORSAN. Dentre outras atividades, ajudou na construção da estação de tratamento nos altos da Rua Paraná. Após o término das obras, em 1952, foram abertas as torneiras nas residências da cidade.

 Neste mesmo ano Xirú Camargo passa a ser o primeiro cobrador de água, batendo de porta em porta, recebendo as contas diretamente dos consumidores. Como a família era grande, precisava se desdobrar em dois para dar conta de seu sustento. Além do trabalho junto a hidráulica vendia carnês da Santa Casa, seguros de vida, como GBOEX, dentre outros trabalhos extras. Nunca desanimou, sempre altivo e confiante seguia sua vida focada no cuidado da família.

 Apaixonado pela cultura gaúcha, desde a infância envolvia-se nas atividades culturais da cidade. Hora como simples participante, hora como organizador de bailes gaúchos onde reunia centenas de pessoas. Em 1959, iniciou um projeto do qual nutria muito orgulho: o programa Querência Amada, que ia ao ar nos sábados às 15 horas pelas ondas da Rádio Erechim.

 Juntamente com seu amigo Aldo Antonio Bartininski, popular Maragato, Xirú Camargo apresentava convidados como cantores, músicos, repentistas/trovadores, poetas e compositores. Participavam também peões e prendas. Havia a escolha das prendas do programa, sendo que Ivone Fabro e Jane Maria Paz foram eleitas.

 Dentre os membros da Rádio Erechim destaca-se a gerência de Euclides Antônio Tramontini, locutores Jovino Alves Martins, Milton Doninelle e Valdemar Detoni Jr. Grandes nomes da música gaúcha passaram pelo Querência Amada. Artistas como Teixerinha, Gildo de Freitas, Garoto de Ouro, Gildinho dos Monarcas, Nestor Canabarro, dentre outros. O Tenente Otavio Tomaze Filho apresentava-se como declamador.

O Programa também era usado para divulgar os bailes que promovia na região. Nestas festas sempre convidava artistas para fazerem shows. Nestes eles divulgavam seus nomes e conseguiam sobreviver. Vários municípios receberam o Bailão do Xirú Camargo, acompanhado de Teixerinha, Gildinho dentre outros.

 Um dos aniversários do programa foi comemorado no Cine Luz. A casa ficou lotada, com a presença do CTG Lalau Miranda, prefeitos convidados de honra e população em geral. Trovas e muita música de artistas de renome brilharam no palco, tudo transmitido pelas ondas da rádio Erechim.

 Xirú Camargo promovia em seu programa diversos concursos, como o realizado por ocasião do dia das mães, para premiar a mãe com maior número de filhos. Contava ele, que apareceu uma mãe com 18 filhos, iriam declará-la vencedora quando apareceu uma senhora com 20 filhos. As duas ganharam o prêmio. Após sete anos e três meses deixou de apresentar o programa.

“Porém, ficou marcado na memória de muitas pessoas. Das poucas vezes que circulava pelo Bairro Centro, quase no fim da vida, ainda era reconhecido pelas pessoas como o Xirú do Querência Amada. Foi um dos primeiros moradores da COHAB Aldo Arioli e um dos organizadores da associação daquele loteamento. Ficou conhecido na vizinhança e respeitado. Acolhia a todos que chegavam a sua casa. Quem lá chegasse ao meio da tarde dificilmente sairia sem tomar um café”.

 No início dos anos 80 aposentou-se do serviço público após trabalhar 35 anos, seis meses e 17 dias. No entanto, não parou de trabalhar. Conseguiu emprego no Piscina Clube e no Hotel Paiol Grande. Algum tempo depois foi acometido de uma doença que lhe comprometeu seriamente a mobilidade nas pernas, de modo que se movimentava com dificuldades com ajuda de um andador. Mesmo assim não perdeu a alegria de viver e a esperança em dias melhores.

 “Pessoa calma, tranquila, sempre disposta a dar uma palavra de fé e conforto a quem a ele se dirigia. Era comum, boa parte de seus filhos, mesmo depois de crescidos, lhe procurarem para pedir ajuda. Sempre movia esforços para ajudá-los. Conhecia e gostava da história de Erechim, quem foram os prefeitos, os grandes acontecimentos, a localização dos prédios históricos, o que funcionou em cada um deles, além de elementos do cotidiano do passado”.

 Gostava de anotar dados populacionais, territoriais e acontecimentos. Lia muito jornais e livros. Sempre que encontrava um interlocutor, ficava feliz por poder conversar e contar alguma de suas histórias vividas. Cultivava uma fé muito grande em Deus e a alimentava através da leitura diária da Bíblia e constantes orações. Agradecia a Deus a cada dia de vida antes de dormir. Exemplo de pai, esposo e amigo.

Sua esposa Loreli faleceu em 2007 após viverem casados por 63 anos. Nos últimos anos de vida morou na casa de filhas e neta. Seu amor a Erechim foi traduzido na letra de uma música que ele mesmo compôs. A homenagem a cidade em que viveu a maior parte de sua vida foi resumida em 10 versos, uma décima, dizia ele. Em um manuscrito de duas folhas, revelou sua admiração e respeito pela “terra da Cordialidade” e encerra em uma homenagem para homens e mulheres da “capital da amizade”.

 Em 2014 Xirú Camargo, já com quase 92 anos, sentia-se um homem feliz e realizado. Faleceu tranquilo e resignado. Deixou um legado de amor à vida, à família, ao tradicionalismo e a sociedade.

 “Homenageá-lo colocando seu nome em uma artéria de nossa cidade é reconhecer que o trabalho digno, a preservação das tradições e a hospitalidade são valores do povo erechinense. Todos eles vividos intensamente pelo nosso tradicionalista Xirú Camargo”, finalizou Jorge.

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